Tenho um medo incrível de te perder, J. Vivemos muitos anos em guerra, alianças esporádicas contra os pais. Mas não éramos amigas. Muito nos separava, nada conseguia fazer a ponte entre nós, nem sequer as poucas actividades que partilhávamos.
Saíste de casa e tudo mudou. Somos amigas. És o meu modelo de quem eu quero ser quando for grande, muito mais que a mamã. Tu sabes que a felicidade tem os seus custos, mas tens a relação modelo com um homem que é já meu irmão. És minha amiga. Mesmo. Faço tudo por ti. Daria a miha vida por ti se te ajudasse de alguma forma.
Agora percebo porque eramos como eramos, de costas voltadas. Agora vejo que tudo isso passou, como nós crescemos. És minha e eu sou tua. És o meu grande orgulho e percebo porque és um orgulho para todos. E já não sinto inveja, mas sim uma vontade desmesurada de te fazer sentir tão orgulhosa de mim como eu de ti. E sabe Deus que não tens quaisquer motivos para isso.
Mas J., eu estou a crescer, cresci mais nestes últimos 10 meses do que alguma vez imaginarás. Sei que posso contar contigo, sei que posso falar contigo e que finalmente me vais ouvir. Como ouves qualquer outro dos teus amigos. Demorou muito tempo, mas J., finalmente posso dizer que és a minha melhor amiga e que quando vejo os manos mais velhos dos outros a ir embora, fico com muito medo de te perder. Porque, apesar de tudo, só agora te encontrei. Só agora. E não quero nunca ficar sem a minha mana mais velha, que me proteje da mamã quando ela me quer dar chineladas, quando eu preciso de passar uns dias afastada dos pais e do mundo, quando preciso sentir que alguém precisa de mim.
Se calhar nunca to disse, mas J., és um dos grandes amores da minha vida.
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