A minha vida podia ser contada por um livro. Qualquer livro.
Em qualquer personagem vejo um vislumbre de mim, de como se me sinto agora, de
como quero ser no futuro. Há qualquer coisa de mágico nos livros, na forma como
te envolvem e te levam o centro da história, como um ser invisível que
acompanha os personagens. Conheces com Zafon as ruas de Barcelona, com Pamuk a
mágica Istambul, com as cores os cheiros as luzes. O tapete voador da
imaginação leva-te a correr o mundo, a viver aquela história, a ser parte
daquele imaginário que te é dado de bandeja por um qualquer génio pleno de
ideias.
Vejo o meu eu a viajar pela Europa, a palmilhar os Estados
Unidos, a percorrer a América Latina de motocicleta com Guevara.
Sinto as dúvidas das personagens no meu âmago, sinto a sua
indecisão e fraqueza e sei que são eu. Naquele pedaço de papel estou eu, estás
tu, estamos todos nós, hoje, ontem ou amanhã, com todas as nossas
fraquezas/virtudes de sermos humanos.
Podemos ser qualquer pessoa num livro. Podemos realizar todos
os nossos sonhos e viver as vidas mais alternativas e distantes da nossa quanto
possíveis. Podemos experimentar tudo aquilo que temos medo, fazer merda e sair
impunes, amar e transpirar amor. Tudo isso com um livro, no prazer inenarrável
de ler um bom livro.
E isso é dizer-vos quem sou.
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