15 maio 2012

Voar

A minha vida podia ser contada por um livro. Qualquer livro. Em qualquer personagem vejo um vislumbre de mim, de como se me sinto agora, de como quero ser no futuro. Há qualquer coisa de mágico nos livros, na forma como te envolvem e te levam o centro da história, como um ser invisível que acompanha os personagens. Conheces com Zafon as ruas de Barcelona, com Pamuk a mágica Istambul, com as cores os cheiros as luzes. O tapete voador da imaginação leva-te a correr o mundo, a viver aquela história, a ser parte daquele imaginário que te é dado de bandeja por um qualquer génio pleno de ideias.

Vejo o meu eu a viajar pela Europa, a palmilhar os Estados Unidos, a percorrer a América Latina de motocicleta com Guevara.

Sinto as dúvidas das personagens no meu âmago, sinto a sua indecisão e fraqueza e sei que são eu. Naquele pedaço de papel estou eu, estás tu, estamos todos nós, hoje, ontem ou amanhã, com todas as nossas fraquezas/virtudes de sermos humanos.

Podemos ser qualquer pessoa num livro. Podemos realizar todos os nossos sonhos e viver as vidas mais alternativas e distantes da nossa quanto possíveis. Podemos experimentar tudo aquilo que temos medo, fazer merda e sair impunes, amar e transpirar amor. Tudo isso com um livro, no prazer inenarrável de ler um bom livro.

E isso é dizer-vos quem sou.

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