15 maio 2012

A porta fechada


Vejo o meu futuro decidir-se por detrás de uma porta fechada, numa sala onde não me é permitido entrar. Sinto o meu Pai e a minha irmã a lutar pelo nosso futuro, pelo meu futuro, e nada posso fazer. Sinto-me à deriva numa vida que não vejo como minha porque não foi assim que a sonhei.
No final do dia, já faltará pouco para o futuro se decidir, nas mãos de outrem que não me conhece, que não nos conhece, que não se senta à nossa mesa para partilhar connosco a comida fantástica da Mãe ou saborear os vinhos escolhidos a dedo pelo Pai. Que não nos viu crescer como adultos que somos, que não nos vê a sermos Pais e Filhos ao mesmo tempo uns para os outros.
A vida é injusta. É difícil crescer. Os clichés do costumo rasam o meu pensamento como sinónimos do que acontece por detrás daquela porta fechada.

Escolho parar de estar em frente a tal porta. Escolho enfrentar o sol quente, inundando-me de calor e aconchego. Escolho ser forte, não deixar a vida levar-me a melhor e passar-lhe a perna na procura do inatingível.

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